
Eles se encontraram. Olharam-se. Tocaram-se. Analisaram seus traços, seus olhos, seus braços. Sorriram. Ah, há quanto tempo não viam aquele sorriso. Ficaram ali até que caísse a tarde. Sentiram o vento balançar seus cabelos. Exalaram felicidade em seus gestos. Ele observava como seus lábios estavam carnudos, seus cabelos cheirosos. Ela... ela só conseguia pensar em como amava aquele homem. Olhava cada pedacinho dele como se conhecesse cada pequeno órgão há muitas vidas. Seus olhos lhe pareciam querer chorar. Ela pensou em falar o quanto sentiu o pesar dos dias sem sua presença. Desistiu. Olhou-o com toda ternura que era capaz de expressar. Novamente sorriu. Sorriu com os olhos, sorriu com a boca, sorriu com a alma. Sorriu e fez-se sorriso. Ele chorou. Chorou ao pensar na distância que a vida lhes impunha. Chorou ao lembrar de todo o desejo reprimido, todos os versos escritos nas noites de insônia. E ela abraçou-o. Como num impulso, deixou que seu corpo caísse delicadamente sobre o dele e seus braços o envolvessem em um longo abraço. Aquele contato há tanto esperado, parecia sucumbir qualquer dor, tristeza ou saudade. Permaneceram no abraço sentindo os corações palpitarem, como se pudessem ouvir as palavras pensadas sem mesmo serem mencionadas. E enquanto ela sentia o cheiro da sua pele, ele tocava as suas costas, seus cabelos, seu rosto. Suas bocas se tocaram. Sentiram o gosto doce da saudade saciada, do desejo realizado. Beijaram-se. Como mel que se espalha, sedento e não pára. Beijaram-se. Como iguaria da Ásia, degustaram. Cada instante daquele momento fora esperado. E amaram. Como se fosse a última noite. Amaram. Como se fosse o último toque. Amaram. Como se nada mais no mundo fizesse parte ou tivesse qualquer relevância sobre o sentimento que arde. Amaram. Amaram. Amaram.
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