
E se eu quiser falar de amor... o que você me diz?
Se eu quiser falar que o cheiro das flores brotando na grama molhada me lembra a infância e os carros alucinados na avenida das américas não me parecem tão charmosos quanto as bicicletas na orla de copacabana... você ouviria?
Ou ficaria sem ar com as frases soltas e sequências longas de dizeres que tem o simples sentido de serem ditos, nada mais.
Eu não quero lembrar da profundidade da piscina em que eu mergulhei quando comecei a olhar tudo tão de dentro, nem da falta de ar que dá quando você toca o fundo.
É só da despretensão de ser uma oração que eu vim aqui dizer... e talvez o coração queira deixar alguma mensagem que eu não estou conseguindo ler. Talvez.
É porque hoje eu vi um filete de sol cortando as árvores verdes e pensei no esforço das folhas para enxergarem o chão, tentando ver o mundo mais de perto. E nós aqui querendo estar lá, sempre lá em cima... em cima de onde, eu me pergunto? Em cima de quem?
Ah, deixa que os pensamentos bobos tomem as páginas brancas e saiam desenhando desejos que vivem tão apertadinhos no espaço do subconsciente. E ficar imaginando a super lotação dos desejos encubados, numa luta diária para saber quem será o próximo a ser liberado num curto espaço de tempo em que paramos de pensar e: agimos!
Aff, deve ser como o pobre do espermatozóide que passa a vida esperando por aquele instante. E quando chega lá, é rejeitado. Somos rejeitados de tantas formas diferentes durante a vida que não é de se assustar que cada partícula do nosso corpo sinta isso de uma maneira diferente.
E o amor que eu queria falar? Ele entrelaça cada uma dessas frases soltas para transformar as palavras solitárias em lindos conjuntos de orações, frases, períodos... cheios de sentido entre si, amando-se loucamente enquanto estão unidos naquela mesma missão. A missão de se fazer entender, de alguma forma, em alguma língua. Amar e compreender. Amar é compreender.
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