Teve um dia que eu escrevi que dez dias me tiraram cinco anos em minutos. Dez dias duraram meses. Dois dias duraram meses. Cinco anos duraram meses. E depois de tudo isso, eu voltei ao ponto de partida. Acontece de novo e de novo e de novo. Corri, corri, corri e corri sem sair do lugar. Bati a cabeça na parede e não adiantou, não adianta, nada adianta.
Preciso de alguma dose forte de qualquer coisa, preciso deitar e relaxar, parar de cuspir fogo. A paz deve ficar em algum lugar depois da esquina. Eu só preciso de um pouco de colo. Meus amigos por perto. Calor, preciso de calor, preciso ver que não sou tão mendiga quanto estou me sentindo. Mendiga. Implorando em silêncio por qualquer migalha, qualquer moedinha, qualquer coisa. Um pouquinho de doçura na minha vida, só um cubinho de açúcar. Tudo anda tão amargo, dói tanto que mal consigo me manter em pé. Mas eu aguento.
Estou oca. Quero meu pedacinho de volta no lugar. Preciso ver alguma coisa bonita. Está tudo tão feio, tão feio, meu querido. Preciso sentir a sua mão de novo, ver que você ainda está aí, que lembra, que sabe. Preciso saber que você ainda sabe. Uma palavra e minha alma estará salva. Uma só. Qualquer uma. Quando der. Quando o sol sair de novo. Quando o céu mudar de cor. Quando a lua sorrir no céu. Quando você quiser. Ontem, amanhã, no ano que vem. Quando você quiser. Eu sou sua.
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Um comentário:
Incrível como este texto traduz bem as coisas, parece que tem coisas que todos nós temos que passar, néh?
Mas é bem isso, pelo menos (ainda que só mais tarde percebamos) essas coisas fazem a gente amadurecer...
Beiju...Paulo.
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